terça-feira, 4 de setembro de 2018

Jurupari

Aqui há uma personagem dividida entre duas versões de sua lenda, tão díspares que é de desconfiar de a segunda não foi uma invenção cristã. Jurupari, na primeira versão da lenda seria uma espécie de Cristo indígena, tendo nascido de Ceuci, uma virgem; ele é chamado de Legislador por haver causado uma revolução nas leis e costumes dos índios. Quando os jesuítas chegaram, seu culto era forte em território nacional - aí surge a segunda versão da lenda (não se sabe se criada por estes ou pré-existente a chegada dos europeus), onde Jurupari seria uma espécie de Diabo, ou mesmo a encarnação do próprio Mal. Não é preciso concluir que os sacerdotes católicos preferiram a segunda e buscaram popularizá-la, afinal, um Cristo indígena não lhes cabia a visão de mundo.


Boca de Ouro

Pobre do cidadão recifense que, saindo da balada pelas tantas da madrugada, se não é violentamente espancado pela Perna Cabeluda, acaba admoestado pelo Boca de Ouro. Parece um cidadão comum, elegantemente trajado com seu terno branco e chapéu Panamá, que interpela o passante acerca da posse de fogo para o seu cigarro. A luz pouca de tais horas, demora para o pobre diabo ver-se diante de um sujeito de crânio descarnado de dentes dourados, que o perseguirá em busca de um isqueiro ou fósforo. É uma assombração bastante popular no nordeste do Brasil, e não apenas em Recife.


sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Icamiabas

A lendária tribo indígena amazônica composta apenas por mulheres teria, quando o conquistador espanhol Francisco de Orellana desceu o rio Amazonas pelos Andes, derrotado seu exército de maneira espetacular. Este feito fora transmitido ao rei de Espanha que, recordando das amazonas gregas, batizou o rio, o que mais tarde deu nome a floresta e ao estado brasileiro do Amazonas. Sua lenda é parte dos anais do folclore nacional, e embora não tenham sido encontradas ainda, estima-se haver cerca de setenta tribo indígenas ainda não catalogadas vivendo na Amazonia; talvez elas estejam por lá.


quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Perna Cabeluda

Membro inferior espectral, mas muito físico, de sabe-se lá quem, embora se especule pertencer ao próprio Diabo. Lenda originada do Recife, mas encontrada em todo o nordeste brasileiro, costuma assombrar à noite, pelas ruas desertas da cidade, agredindo com rasteiras e pontapés violentos aos transeuntes que deambulam pelas horas mortas da madrugada. Há quem a represente com um casco de bode, outros a ilustram como tendo olhos e boca monstruosa; mas, basicamente é uma perna masculina bastante hirsuta.


terça-feira, 28 de agosto de 2018

Comadre Fulozinha

Na categoria das personagens protetoras das matas e seus habitantes, a Comadre Fulozinha é representada como uma cabocla adolescente - até mesmo dizem que teria sido pessoa viva. Conta-se que seria uma espécie de bruxa boa, mestra em simpatias e toda sorte de medicamentos feitos com ervas; por conta disto levaria consigo uma colher encantada, que serviria não apenas para cozer seus xaropes e caldos, mas também a transportaria pelo ar, como as vassouras fazem com as bruxas. Não deve ser desagradada, pois pode assumir uma personalidade bastante sinistra e maléfica.


segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Barba Ruiva

As margens da um rio no Piauí vivia uma bela jovem que engravidara ainda solteira de seu pretendente. Este foi para terras distantes em busca de trabalho; não suportando a vergonha de ser mãe solteira e, sozinha, lançou seu filho recém-nascido nas águas do rio. A Mãe d'Água recolheu a criança para si, e tomada de tal revolta pelo ato monstruoso da mulher, fez transbordar o rio, transformando-o num lago, o Parnaguá. Nos anos que se seguiram o choro de uma criança era ouvido nas margens do lago, e muitos anos mais tarde se costumava avistar uma criança ruiva nas margens, e mais tarde um homem de barba ruiva, que saia das águas em busca do carinho de sua mãe. Diz-se que água benta jogada sobre a cabeça do Barba Ruiva o fará perder seu vínculo com as águas, tornando a sua condição mortal.


quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Cavalo de Três Patas

Esta criatura é uma das possíveis transformações assumidas pelo famoso Saci - conhecida em certas áreas dentre os estados que compõem a região sudeste do país, o Cavalo de Três Patas é uma assombração agourenta, cuja presença maléfica causa o terror; para se ter uma ideia, simplesmente pisar em suas pegadas pode gerar profunda e permanente tristeza, levando mesmo a morte.


quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Canaimé

Tajá é uma planta que cresce nas serras de Roraima, e acredita-se que contenha as almas inquietas de antigos pajés que usaram seu conhecimento na prática de maldades. O consumo desta planta torna o sujeito um Canaimé, um ser limítrofe entre matéria e Espírito, que pode ficar invisível e transformar-se em diversos animais. O termo Canaimé também define um Espírito maléfico.


Tutu Marambá

Para prosseguir no campo dos papões que existem para disciplinar crianças insones e arteiras, o Tutu Marambá é uma criatura informe na maioria das descrições, assumindo os caracteres dos temores infantis. Contudo, no interior da Bahia, ele é conhecido sob a forma de um porco selvagem. Por conta disto, ilustrei-o sob um meio-termo, com um temível crânio de javali flanando ao sabor de um corpo fluido.



terça-feira, 21 de agosto de 2018

Boi da Cara Preta

A exemplo de outras personagens cuja razão de ser é disciplinar a garotada pelo medo, o Boi da Cara Preta é um representante da categoria que goza de grande popularidade. Embora afamado pela cantiga popular, o bovino também é associado a figura do Diabo, quando eventualmente avistado em campo aberto por gente da fazenda.