sexta-feira, 1 de maio de 2020
quinta-feira, 23 de abril de 2020
domingo, 29 de março de 2020
domingo, 22 de março de 2020
Cinema em poucas linhas #7
Zumbilândia 2 – Um pouco mais do mesmo? Claro, por
que não? Ao que parece os filmes de zumbi, inclusos aí as séries, games,
quadrinhos e tudo o mais, são um fetiche do mundo moderno, ou só dos EUA que
curte essa pegada milenarista e sobreviventista que remete a época da Guerra
Fria. Pro povo abaixo do equador é só farra, e uma aventura mais de Woody
Harrelson e sua trupe de sobreviventes de um apocalipse zumbi não faz nenhum
mal – muito pelo contrário: tem o adendo bem-vindo de Rosário Dawson, e de um
sem número de situações absurdas que bem poderia ocorrer num mundo
hipoteticamente dominado por uma praga zumbi. Não falou de ninguém, chega pra
somar e expande o que se viu no primeiro filme; vale até a pipoca.
Frozen 2 – Prosseguindo nesta toada das continuações,
Elsa e sua irmã Ana ressurgem para... para quê mesmo? A exemplo do sentido
quando diante de Toy Story 4, Frozen 2 exorta emoções contraditórias – ora é
divertido, principalmente com o alívio cômico de Olaf, ora é tedioso,
prolongado e sem função. Para que criaram essa continuação? Dinheiro, claro!
Mas pesou o compromisso da continuação, principalmente diante do volume
superlativo e fenomênico da primeira aventura da rainha do gelo e sua trupe.
Elsa adquire uma figura ainda mais diáfana e etérea, quase uma força da
natureza personificada, mas a história se perde entre ires e vires e revelações
que acabam pouco importando. É um filme que tanto faz. Espero que jamais façam
uma continuação de Moana.
Malévola 2 – Difícil desgostar de Angelina Jolie, o
zênite da beleza atual. Menos ainda em sua forma alada como a feiticeira que se
mostrou boa, lá no fundo; o primeiro filme tinha uma razão clara ao mostrar o
que seria a versão real para a lenda d’A Bela Adormecida. Já tal continuação
parece fora de lugar, com um fio de história que poderia ter dado muito mais
filme do que o que se realizou. Ao fim e ao cabo, Malévola se mostra a
encarnação da própria Fênix, a ave legendária capaz de renascer das próprias
cinzas, personificando uma espécie de messias do seu povo, que até então não
havia dado as caras. Entre essa relutância por abraçar uma causa que não parece
sua, e evitar que a afilhada com catalepsia contraia matrimônio com o filho de
Michelle Pfeiffer, rainha ruim paca, Malévola parece perdida e o espectador
idem. Filme esquecível.
Ford x Ferrari – James Mangold conta com minha
total antipatia dado o que fez com Wolverine; mas aqui, longe dos super-heróis,
ele se sai melhor. E bem melhor. Não é um filme perfeito e irrepreensível, mas
mantem um ritmo constante e cativante, prendendo tanto mais por ser uma
história que lida com aspectos reais, tais quais o embate de duas das mais singulares
e bem-sucedidas montadores de veículos de todos os tempos, quanto pelas
atuações complementares de Matt Damon e Christian Bale. Os clichês estão todos
em seus devidos lugares – há o adulador oportunista, o idealista prodígio, o
administrador diplomático, os tubarões da indústria alienados da realidade por
suas fortunas e famas, enfim, nada que destoe de uma história dramatizada para
caber na fórmula fílmica. Ficou redondinho. Mas é James Mangold...
Um Lindo Dia na Vizinhança – Fred Rogers foi um
pedagogo e apresentador de programas infanto-juvenis americano, e neste filme é
interpretado por Tom Hanks numa atuação excelente. Mas nem de longe é uma
biografia do sujeito – na realidade, ao ser incumbido de fazer um perfil deste
um jornalista tem sua vida revirada. As camadas de interpretação de Hanks
apenas provam merecida sua indicação ao Oscar e, desculpe Joaquin Phoenix, mas
deveria ter levado. Fred Rogers parece um personagem, uma figura montada cujo
cinismo do jornalista faz farejar histórias escabrosas acerca deste, mas, ledo
engano – positivamente humano, solidário e solícito, Rogers vagarosamente
descontrói os traumas de Lloyd Vogel ajudando-o a se reconstruir em sua melhor
versão, para perdoar o pai, amá-lo e a todos de sua família. A cena no
restaurante em que Rogers pede a Vogel que faça um minuto de silêncio para
pensar em todas as pessoas que já o amaram em sua vida é, certamente, a quebra
de quarta parede mais linda que já vi, e uma prova mais do talento colossal de
Tom Hanks. Um filme cativante, lindo e necessário.
Star Wars IX – Rey é neta do imperador Palpatine,
que até então estava morto desde O Retorno de Jedi; grande revelação? Nhééé...
fiquei me perguntando quem seria o filho deste, já que nem sabia que existia.
Então, de alguma forma vivo e atuante, o sujeito tramara o retorno de seu
império do terror, para uma vez mais ser sobrepujado pelo lado bom da Força.
Esse povo não cansa desse maniqueísmo todo, desse embate exaustivo do bem
contra o mal? Problema maior que as peças deste tabuleiro galáctico são sempre
as mesmas, senão as principais, seus descendentes. Enfadonho até a alma, e nem
o velho time parece capaz de tirar leite de pedra numa história que já caducou
há duas gerações, ou mais. Espero apenas que os envolvidos consigam fazer uma
carreira decente depois de tal desastre.
domingo, 12 de janeiro de 2020
Cinema em poucas linhas #6
Coringa
Todos que se propuseram a tratar deste filme já o fizeram, de tal conta que parece redundante afirmar o óbvio - é um bom filme? Sem dúvida! Mas, é um daqueles filmes que lhe deixam pensando um cadinho mais depois da sessão. Chega a ser surpreendente que se trata de um produto do mesmo estúdio que entregou Liga da Justiça, principalmente por se tratar de uma personagem pertencente ao mesmo universo. O Batman de Affleck encontraria o A. Fleck de Joaquin Phoenix? Dificilmente, mas em se tratando da Warner/DC não duvido de nada. A história conta a escalada de loucura do sujeito que daria no Coringa, aqui um doente mental que, de sofrimento em sofrimento, de delírio em delírio, tem seu momento de catarse e felicidade na violência e no abraço voluntário a insanidade. Alguns profetas do apocalipse prescreveram tratar-se de um filme perigoso, que incitaria os lunáticos de plantão ao assassínio e a revolta social; outros viram na figura de Arthur Fleck a epítome do outsider, do nerd perdedor que aprecia filmes antigos e ainda mora com a mãe. Sim, alguns idiotas se identificaram com a personagem, e se revoltaram quando ele se torna um vilão, acusando o diretor de fascista e outros adjetivos menos elogiosos. Restou a estes apontar que não se trata do Coringa, mas aí já não o era desde O Cavaleiro das Trevas. Nos quadrinhos, sabiamente a origem do Coringa fora sempre envolta em nebulosas nuvens de mistério, surgindo diversas versões, cada qual conveniente ao momento. O Coringa de Todd Phillips não é melhor nem pior, mas é o que fala mais agudamente ao zeitgeist atual, e aí está sua genialidade.
Rambo 5
Em ano que viu a estréia do terceiro e insatisfatório capítulo da saga de John Wick, Rambo tornou-se anacrônico em sua quinta aparição cinematográfica - quem gostou do elegante matador interpretado por Keanu Reeves detestou ver Stallone decepando membros, e vice-versa. Fato é que o soldado traumatizado, veterano da Guerra do Vietnã, poucas vezes permitiu uma leitura senão maniqueísta de sua trajetória - porque seria diferente agora? No ocaso da vida, Rambo emendou os cacos da própria existência no mais próximo da normalidade que conseguiu, até que a garota que tomou como filha resolve desvendar a própria origem e, agindo inconsequentemente como todo adolescente, enfia-se em uma viagem fatal ao México. Rambo não ia deixar por menos e começa a matança. Rápido e cortante como o facão que sempre portou, Rambo 5 não se perde em dar profundidade ao que não tem, uma parábola ao caráter do pai da personagem de Yvette Monreal, que recusou-a como filha por que sim, e nada mais. Não há espaço para relativização, para discutir o caráter deste ou daquele. Para quem não esperava mais do que isto da personagem de Rambo, o filme é uma grande despedida, com sabor agridoce - ele morre no final? Cada um que interprete como bem entender, mas penso que não - ele até gostaria, mas persiste, um incômodo para si mesmo e para o mundo que tornou-se-lhe ainda mais hostil.
Era uma Vez em Hollywood
Medonho! Gostaria, sinceramente, de ter outro parecer a dar acerca deste filme, mas não encontro outro melhor. Tarantino, a meu ver, é um diretor irregular - apenas dois de seus filmes são bons, bons ao ponto de serem geniais: Pulp Fiction e Bastardos Inglórios! Todo o restante é, senão mediano, um amontoado horroroso de cenas sem sentido que se justapõe para justificar um plot tolo. Em Bastardos Inglórios, em uma espécie de tarantinoverso, Hitler é morto de maneira diversa daquela registrada pela historiografia oficial - ficou lindo, genial. Em Era uma Vez em Hollywood, a mesma lógica se impõe, e Tarantino resolve homenagear o cinema, alterando o final trágico da atriz Sharon Tate, que foi morta pela família Mason em 1969. Para tanto, ele inventa dois personagens improváveis, que aos trancos e barrancos acabam por impedir a tragédia que ocorreu na vida real. Todo o encadeamento tão bem urdido para contar uma história que se passou na II Grande Guerra Mundial, aqui resulta numa espécie de masturbação acerca das vidas patéticas de um ator e seu dublê na busca por relevância profissional - e dá-lhe cena irrelevante, tomadas longas, resultando num ritmo moroso que prescreve um desfecho violento que, nem por isso, justifica tudo o que fora visto desde o primeiro minuto da projeção. Aquela sensação de tempo perdido é inescapável. Uma obra lamentável cuja expectativa despertada não corresponde ao produto final. Quero meu dinheiro de volta.
O Irlandês
Hollywood padece de imaturidade juvenil como nunca antes - super-heróis e animações dominam as telas grandes, enquanto o grande pulo do gato para os contadores de boas histórias está na TV. É uma grande inversão do que existia no passado, em que o cinema era o altar máximo almejado. Netflix não é apenas TV, é TV por streaming, ou seja, o espectador escolhe sua programação. Para tanto, é preciso um catálogo vasto e variado de conteúdo, e O Irlandês é um de seus produtos exclusivos, de pedigree próprio, com a assinatura do genial Martin Scorsese. Conta a história, sem pressa, de um capanga da máfia que está sempre pronto a sujar as mãos para seus chefes - acaba prestando serviços para Jimmy Hoffa, supremo líder sindical dos caminhoneiros americanos, de quem se torna amigo. Entretanto, vê-se obrigado a matá-lo. Basicamente a história revela uma das muitas versões para o desaparecimento lendário de uma figura mítica da história americana, um homem que concentrou muito poder em si mesmo, e acabou incomodando muita gente perigosa. O filme reúne uma trinca sem igual de protagonistas - Robert De Niro encontrou o papel perfeito para manter a carranca que vem sustentando desde há alguns anos, não parecendo ser um grande desafio interpretativo dar vida a esta matador da máfia; Al Pacino sai-se melhor, mas Joe Pesci é a grande surpresa. Conhecido por uma veia interpretativa histriônica, aqui é um vulcão adormecido, cuja calma aparente esconde rios de lava prontos a aflorar a qualquer minuto; é uma pena não estar atuando com mais frequência. Este filme é já um clássico desde o berço. Imperdível.
Ad Astra
Resumidamente - um sujeito precisa alcançar os confins mais distantes do sistema solar conhecido para compreender que seu pai é um merda! Pronto, eis o filme. De alguns grandes filmes dedicados a explorar a temática espacial a surgirem nos últimos anos, devoto algum gostar apenas a Gravidade, aquele em que Sandra Bullock precisa se virar sozinha pra deixar a órbita geoestacionária e voltar a Terra, de preferência em segurança. Interestelar é um porre de tão pretensioso, e tem uma historinha boba que só; O Primeiro Homem poderia bem ser um docudrama, mas está longe de empolgar. Vida, que nem é tão grande assim, mas tem um elenco estelar, é uma releitura desnecessária de Alien. Perdido em Marte não se decide entre ser uma aventura, uma comédia ou um drama, mas até que é redondinho. Brad Pitt encerra 2019 com dois filmes ruins e ambiciosos, o que não significa nada para ele, já que tascou uma indicação ao Oscar por Era uma Vez em Hollywood. Talvez tivesse vontade de ter uma aventura espacial para chamar de sua, mas não há o que justifique a existência de Ad Astra - os velhos clichês estão lá, e o andamento lento que se propõe a dar uma ideia das grandes distâncias do sistema solar empaca o filme que não chega a lugar nenhum - o sujeito quer chegar ao seu pai para encontrar paz de espírito. Ele consegue, mas não do modo esperado - o velho astronauta é obcecado com o espaço e com a busca por vida inteligente, e ele não chegou tão longe para deixar seu filho o impedir de morrer tentando. Cada qual consegue o que quer, mas precisava ir tão longe pra tanto? Filme besta...
O Irlandês
Hollywood padece de imaturidade juvenil como nunca antes - super-heróis e animações dominam as telas grandes, enquanto o grande pulo do gato para os contadores de boas histórias está na TV. É uma grande inversão do que existia no passado, em que o cinema era o altar máximo almejado. Netflix não é apenas TV, é TV por streaming, ou seja, o espectador escolhe sua programação. Para tanto, é preciso um catálogo vasto e variado de conteúdo, e O Irlandês é um de seus produtos exclusivos, de pedigree próprio, com a assinatura do genial Martin Scorsese. Conta a história, sem pressa, de um capanga da máfia que está sempre pronto a sujar as mãos para seus chefes - acaba prestando serviços para Jimmy Hoffa, supremo líder sindical dos caminhoneiros americanos, de quem se torna amigo. Entretanto, vê-se obrigado a matá-lo. Basicamente a história revela uma das muitas versões para o desaparecimento lendário de uma figura mítica da história americana, um homem que concentrou muito poder em si mesmo, e acabou incomodando muita gente perigosa. O filme reúne uma trinca sem igual de protagonistas - Robert De Niro encontrou o papel perfeito para manter a carranca que vem sustentando desde há alguns anos, não parecendo ser um grande desafio interpretativo dar vida a esta matador da máfia; Al Pacino sai-se melhor, mas Joe Pesci é a grande surpresa. Conhecido por uma veia interpretativa histriônica, aqui é um vulcão adormecido, cuja calma aparente esconde rios de lava prontos a aflorar a qualquer minuto; é uma pena não estar atuando com mais frequência. Este filme é já um clássico desde o berço. Imperdível.
Ad Astra
Resumidamente - um sujeito precisa alcançar os confins mais distantes do sistema solar conhecido para compreender que seu pai é um merda! Pronto, eis o filme. De alguns grandes filmes dedicados a explorar a temática espacial a surgirem nos últimos anos, devoto algum gostar apenas a Gravidade, aquele em que Sandra Bullock precisa se virar sozinha pra deixar a órbita geoestacionária e voltar a Terra, de preferência em segurança. Interestelar é um porre de tão pretensioso, e tem uma historinha boba que só; O Primeiro Homem poderia bem ser um docudrama, mas está longe de empolgar. Vida, que nem é tão grande assim, mas tem um elenco estelar, é uma releitura desnecessária de Alien. Perdido em Marte não se decide entre ser uma aventura, uma comédia ou um drama, mas até que é redondinho. Brad Pitt encerra 2019 com dois filmes ruins e ambiciosos, o que não significa nada para ele, já que tascou uma indicação ao Oscar por Era uma Vez em Hollywood. Talvez tivesse vontade de ter uma aventura espacial para chamar de sua, mas não há o que justifique a existência de Ad Astra - os velhos clichês estão lá, e o andamento lento que se propõe a dar uma ideia das grandes distâncias do sistema solar empaca o filme que não chega a lugar nenhum - o sujeito quer chegar ao seu pai para encontrar paz de espírito. Ele consegue, mas não do modo esperado - o velho astronauta é obcecado com o espaço e com a busca por vida inteligente, e ele não chegou tão longe para deixar seu filho o impedir de morrer tentando. Cada qual consegue o que quer, mas precisava ir tão longe pra tanto? Filme besta...
domingo, 22 de dezembro de 2019
Os 10 Piores Filmes de Todos os Tempos
Ao
contrário do que se possa imaginar, um filme ruim não é aquele que já nasce sob
uma base instável de roteiro, produtor, diretor e orçamento – aqui se alocam os
chamados filmes B, sendo eles propositalmente ruins, ou involuntariamente
ruins; no primeiro caso se pode apontar para O Incrível Homem que Derreteu, uma
produção americana de 1977 como exemplo clássico. Já no segundo caso, Batman
& Robin é um exemplo bastante ilustrativo – aqui, se a história do astronauta
que derrete não se propõe a ir além de um filme sem maiores ambições, a quarta
aventura da dupla de super-heróis da cidade de Gotham é um horror completo,
apesar de todo o orçamento, do diretor competente, do elenco estrelado e do
compromisso de ser um filme do primeiro escalão da indústria americana de
cinema. Todavia, o produto final resulta numa obra infinitamente pior que o
horror protagonizado por um astronauta que não faz mais que derreter enquanto
mata quem lhe aparece pelo caminho – Batman & Robin é ruim porque soube
apelar diretamente a expectativa do público e entregou uma anomalia em forma
fílmica. Destarte, a lista que segue, foca em dez obras que prometeram muito,
com orçamentos gordos, roteiros supostamente bem urdidos, diretores de fama
reconhecida, elenco de estrelas muito bem remunerado, e produtores e um estúdio
de grande porte como base, e que resultaram em filmes sofríveis,
constrangedores, patéticos (sim, a lista tem foco em obras de grande apelo
nerd).
Matrix
Vendido
como ‘o Blade Runner dos anos 90’, esta obra é um acinte desde as cenas
iniciais em que efeitos visuais surgem gratuitos e redundantes – a humanidade
vive uma existência que é uma realidade virtual coletiva, enquanto os recursos
físicos de seus corpos adormecidos são as baterias que alimentam um império de
máquinas autônomas. Tal premissa esconde um niilismo acachapante no subtexto,
em que a lucidez dos poucos que despertam para a realidade nada pode influir,
ou mudar nesta. É uma parábola da existência humana pessimista e derrotista.
Alguns furos? As personagens principais são hackers habilidosos, mas não
conseguem quebrar os códigos da programação da Matrix (a tal realidade virtual
coletiva); se não podem fazê-lo, como despertaram para a realidade? Em alguns
momentos, parecem bastante capazes de burlar a programação desta, mas não
atinaram para criar um programa que torne Neo (Keanu Reeves) numa espécie de
Superman indestrutível – a possibilidade de morte uma vez conectado a Matrix é
constante, e ri alto quando isto é revelado no filme. É uma trilogia patética
que parece dar sinais de que vai voltar, já que as diretoras do projeto
original não fizeram nada de relevante depois disto.
Watchmen
A
HQ na qual se baseia é um marco, mas tê-la entregue a Zack Snyder para executar
a adaptação cinematográfica mostrou-se um grande erro – Snyder é um Homer
Simpson a quem foi dado meio bilhão de dólares para conceber uma obra
cinematográfica; seu foco não está nas tramas e no subtexto político, mas na
violência gratuita e no sexo. Apenas quem é capaz de ver somente isto em
Watchmen poderia alterar seu final de maneira a conceber o que se viu em tela;
algo que não apenas altera o texto original, como deturpa o ethos do Dr.
Manhattan e compromete os planos de Ozymandias como concebidos na HQ. Qualquer
um percebe que a culpa recaindo sobre o Dr. Manhattan resultaria em guerra
fatalmente. Mas seria pedir demais do Snyder. Depois desta obra, nenhum filme
seu mais despertou-me qualquer expectativa. Por isto, eles não estão elencados
aqui como os piores, pois já foram concebidos ruins graças ao seu diretor.
Batman & Robin
Tim
Burton é cult para alguns, mas é um diretor de carreira brilhante na juventude,
e sofrível na meia-idade. Ainda assim, os dois filmes do Batman que executou
são clássicos geracionais. Os estúdios Warner, todavia, cansaram-se do tom
soturno e chamaram Joel Schumacher, um diretor competente que poderiam controlar
com facilidade – ledo engano. Joel fez um filme até que divertido com Batman
Eternamente, mas o desastre aí já se anunciava. Revoltoso pela mão firme que o
segurava pela nuca enquanto trabalhava, o diretor mandou tudo as favas e
executou a obra mais constrangedora baseada em quadrinhos de todos os tempos. Desde
a estética, o texto e as atuações soam fora de tom, bregas e ridículas. Não à
toa consta de praticamente todas as listas de piores filmes.
Vingadores Ultimato
Vingadores
Guerra Infinita é um filme acima da média para o gênero. Mostrando pacientemente
o passo à passo do inamovível vilão Thanos em busca das joias do infinito, que
lhe darão o poder de matar a metade da vida do universo, a obra frustra os
protagonistas a todo momento; de derrota em derrota, os super-heróis da Marvel
acabam vencidos pelo Titã Louco. O filme seguinte tinha o urgente compromisso
de mostrar a refrega, a vingança, a revanche – o fez de modo patético,
atabalhoado, afoito e decepcionante. É o encerramento frustrante de um feito
único no cinema, a ligação de um universo compartilhado de filmes ao longo de
mais de uma década. O filme é tão competente em ser ruim que os diretores são
chamados a todo o instante para explicar o que se viu na tela – ainda assim,
seja pela ingenuidade do espectador, ou apenas pela máquina publicitária
funcionando a todo o vapor, tornou-se a maior bilheteria da história. Qualidade
jamais será sinônimo de quantidade.
Ghost in the Shell
A
adaptação cinematográfica dos mangás japoneses sempre esteve na pauta
hollywoodiana, mas seria preferível que não estivessem. O zeitgeist oriental é
algo incompreensível para o povo americano, e raros seriam os diretores capazes
de transpor para a linguagem cinematográfica toda a complexidade de uma obra
como Ghost in the Shell, ou Akira. Tivesse filmado frame a frame cada minuto do
anime baseado no mangá e seria uma obra-prima. Contudo, apesar da estética
interessante, que ainda assim peca em muitos aspectos, o roteiro subverte todo
o material original e entrega uma história de amor canhestra em meio a perda da
identidade quando a humanidade já não é inteiramente orgânica. Ficou mal
executado, feio e muito aquém do esperado.
Logan
Wolverine,
coitado, tem uma das piores trilogias de super-heróis do cinema, senão a pior.
Este último filme, que marca a despedida de Hugh Jackman do papel que lhe deu
fama e fortuna, não escapa a regra, apenas acentua a sina do pobre carcaju. Nos
primeiros minutos do filme, tem-se o Wolverine dos quadrinhos em cena, como
nunca visto – boca-suja, mal humorado, violento e despudorado. Era o que todo
fã de quadrinhos queria ter visto desde sempre; mas, a FOX teve de esperar por
Deadpool para apostar numa classificação mais alta para um filme de um
personagem cuja essência é violência e pavio curto. Depois disto, no restante
do filme, ele surge velho, alquebrado, cansado – morre atravessado por um toco.
A pior morte que lhe poderiam dar, deram; e os bazingueiros basbaques saíram da
sessão chorando – alguém para o mundo que eu desço no próximo ponto, por favor!
O Senhor dos Anéis
Adaptações
de obras literárias, via de regra, ficam aquém do livro – pior ainda quando a
visão dos realizadores da obra cinematográfica padece de uma tendência para o
cafona. Peter Jackson pode querer esconder-se atrás de um desenho de produção
caprichado, mas sua visão para a obra de Tolkien é brega até a alma. A relação
de Frodo e Sam leva o bromance até o limite – é quase um Brokeback Mountain na
Terra Média; pesa a não a reafirmação constante da amizade de ambos, do
compromisso que firmaram. Frodo parece o garoto criado com a avó, vítima de bullying,
cuidado pelo corpulento de cérebro pequeno Sam. E pra completar essa dupla
digna de um estudo psicanalítico, há Merry e Pippin como a contraparte hobbit
de Mussum e Zacarias. Gandalf tem sua personalidade austera, sapiencial e
imponente vertida para um galhofeiro algo fanfarrão, enquanto Gimli é um anão
de pavio curto e falastrão, tão chato que valeria mais a pena tê-lo jogado
Abismo de Helm abaixo. Aragorn é o herói relutante de personalidade insipida
enquanto o Legolas de Orlando Bloom parece ter injetado botox em toda a cara,
tamanha a dificuldade em mudar de expressão. Só o Gollum se salva. Uma obra de
contornos épicos, envolvente e cativante tornou-se uma trilogia cinematográfica
sentimentalóide e decepcionante. Faz o gosto apenas de quem não leu os livros.
A Origem
Christopher
Nolan é um diretor inconstante – ora dá ao mundo filmes brilhantes, como Grande
Truque ou Batman O Cavaleiro das Trevas, ora entrega Batman Begins e este A
Origem. Acaso o roteiro, nos dois primeiros casos, é tão coeso e bem amarrado
que leva o ritmo do filme sem dificuldade, nos dois últimos exemplos ocorre o
oposto, pois o ritmo fica comprometido com um roteiro que insiste em se
explicar demais, subestimando a inteligência do espectador. A Origem se
prometia um filme instigante, mas recai em abordar o mundo caudaloso da mente
humana – um filme que fez isto de maneira muito mais hábil foi A Morte nos
Sonhos, obra de 1984 com Dennis Quaid. Mas, Christopher Nolan quer levar o
público a uma viagem pelas diversas camadas da consciência humana, uma mais
chata que a outra, tendo como pano de fundo uma trama que é um fio de suspense
que não se sustenta, tendo como subtrama a morte da esposa do personagem de Leonardo
DiCaprio. Acaso o efeito especial de uma paisagem urbana se dobrando em si
mesma é tudo que este filme tem para mostrar, passo.
Star Wars
Quantas
vezes Star Wars foi transmitido pela Sessão da Tarde? Muito poucas! Afirmo,
porque ao longo de toda a década de oitenta e de parte da década seguinte, não
perdia uma transmissão de tal sessão vespertina de cinema. O que explica,
então, a paixão de várias gerações por um filme pouco disponível num tempo
anterior a internet, a TV paga, e ao videocassete? Vai saber – de minha parte,
a pouca repetição da obra de George Lucas não me trouxe a memória afetiva que
tenho de Curtindo a Vida Adoidado ou Superman, para ficar em apenas dois
exemplos. Destarte, não desenvolvi o fanatismo que testemunho em amigos e conhecidos
– e, a bem da verdade, pouco me interessa o mundo de Star Wars. Considero tudo
enfadonho, maniqueísta, machista e autofágico; além de ser de uma nerdice até
então inédita numa obra fílmica. Vejamos a personagem da princesa Leia, a quem
ninguém parece dar muita importância, apesar de ter sido sua iniciativa a
iniciar a trama; Han Solo desenvolve por ela um amor ginasiano, e como um
garotinho de colégio, busca chamar-lhe a atenção insultando-a enquanto se vangloria
e pavoneia seus feitos. Apenas para acentuar sua pouca importância, ela se
torna uma escrava seminua de Jabba o Hutt. Luke é o herói bisonho que acaba
tendo de se haver com uma herança paterna nebulosa (a Força e seu lado negro!
Que medo!). Darth Vader, ao fim e ao cabo não é mais que um leão de chácara
anabolizado do Imperador Palpatine – observando os fatos que o levaram de
padawan a Lord Sith, sua importância se torna ainda mais relativa. Todos os
filmes e produtos ligados a esta marca despertam-me pouco interesse – considero-os
ruins porque se propõem a ser mais do que na verdade são, apesar da importância
que queiram dar a ela.
O Iluminado
Filmes
de terror envolvendo Espíritos me fazem rir – tivesse assistido a O Iluminado
quando de seu lançamento e teria sido um marco em minha formação; não foi o
caso. Assisti esta obra baseada em livro de Stephen King apenas na vida adulta,
e depois de haver estudado com muito afinco ao Espiritismo. O filme perdeu
ainda mais de seu apelo após me casar com uma médium psicofônica e sonambúlica
– basicamente tomo café da manhã rodeado de Espíritos, e o medo que eles me
impõem é zero. Mesmo aqueles mal-intencionados que porventura resolvem invadir
meu lar desavisadamente. O problema com O Iluminado está nas escolhas que
Stanley Kubrick fez para contar a história de Jack Torrance – para quem
desconhece a obra original, o filme pouco explica, deixando tudo nebuloso em
demasia; para quem leu o livro, a adaptação é inferior; para quem leu o livro e
ainda é espírita, o filme soa anacrônico e kitsch, assim como O Exorcista. Que
fique claro, contudo, que a produção é caprichada, a direção é cuidadosa e
cirúrgica... o conteúdo, contudo, deixa a desejar. Danny Torrance e seu pai são
médiuns cuja mediunidade estouvada resultou em tudo que se viu ao longo do
filme – infelizmente Jack ficou louco por conta disso. É um drama e não um
filme de terror.
sexta-feira, 29 de novembro de 2019
Cinema em poucas linhas #5
O Homem
que Inventou o Natal - Charles Dickens foi um canalha conjugal;
qualquer biografia dele não pode deixar de abordar sua atitude ao
abandonar a esposa após 22 dois anos de casamento e dez filhos. Mas,
aqui, sua vida é abordada num recorte cirúrgico, evitando mostrar
essa faceta desairosa do autor de Um Conto de Natal. E justamente o
período que resulta nesta obra imortal é abordado no filme - entre
bloqueios criativos, críticas, incapacidade de gerenciar a vida
financeira da família e os dissabores com o pai, o escritor busca
desesperadamente uma nova história que o leve de retorno a bonança
do passado. A película se encerra com a costumeira positividade e
otimismo dos filmes natalinos, em nada prenunciando o futuro sombrio
da família. Mas, ainda assim, é bem feito e belo.
A pé ele
não vai longe - o título parece uma piada de humor duvidoso quando
o expectador da conta do destino da protagonista, interpretado por
Joaquin Phoenix - alcoólatra, acaba envolvido num acidente de carro
que o deixa paraplégico. John Callaghan de fato existiu e sua
história é contada nesta cinebiografia dramática de humor ácido.
Para os padrões das biografias abordadas pelo cinema, este filme é
uma obra estranha, de ritmo lento e incapaz de despertar o interesse
para onde a narrativa se encaminha. O dramalhão do cartunista
confinado numa cadeira de rodas, e sua lenta saída do vício do
álcool é menos interessante que seus cartuns.
Predadores
Assassinos - todo predador é assassino, ao menos da espécie que ele
preda para poder se sustentar. Em se tratando de crocodilos, o
cardápio é bastante variado, e uma filha e seu pai presos num porão
prestes a ser inundado por um furacão estão na lista de pratos. A
produção é bastante esforçada e os atores idem, mas a história é
bastante genérica, talvez causando mais pungentes reações do
público se visto numa tela de cinema. Em casa não passa de um
sessão fria de cinema, desses filmes que ninguém se importa de
perder uma parte para ir ao banheiro ou estourar mais um balde de
pipoca.
Rainhas
do Crime - Três esposas de mafiosos irlandeses têm de assumir os
negócios da família quando estes são presos - entre percalços e
sucessos, a trinca de protagonistas subverte o típico filme de máfia
numa obra que se propõe empoderadora do gênero feminino; e, pra
sorte do expectador, ainda oferta uma experiência fílmica
interessante, bem construída e com Melissa McCarthy deixando a
comédia de lado para entregar uma atuação cheia de nuances e
força. Gostei bastante.
Toy Story
4 - É Pixar! É bem feito que só, mas ao final da projeção aquela
sensação de perda de tempo não deixa o pensamento. Toy Story
constitui uma das trilogias mais redondinhas do cinema, mesmo dentre
os filmes que não são animações. A saga dos brinquedos de Andy se
encerrou tão magistralmente que seria preciso muita inventividade
para dar sobrevida ao que fora mostrado até então - e isto faltou
em algum ponto; é como se Toy Story 4 pudesse ser contado num
curta-metragem sem prejuízo a ninguém, principalmente a história,
cujas reviravoltas mais cansaram do que encantaram. Um quinto filme
seria ainda mais inútil.
John Wick
3 Parabellum - Deu uma certa estafa este terceiro capítulo da saga
do assassino que se vê em apuros depois de tentar vingar a morte de
seu cão, e reaver o carro que lhe roubaram. Parece um filme que, a
bem da verdade, poderia ser um primeiro ato de, aí sim, o terceiro
capítulo da história - é tanta pancadaria e cena de ação que a
mítica desta organização criminosa que parece dominar o mundo,
sendo uma espécie de sociedade secreta (mais ou menos) paralela,
pouco desenvolveu-se. E isto é tão verdade que o líder da mesma
vive como um beduíno numa tenda no deserto; de minha parte, espera
mais do que isto, e muito mais do filme todo.
sábado, 16 de novembro de 2019
Cinema em poucas linhas #4
Turma da Mônica Laços - Sidney Gusman é um gênio! Ele levou Maurício de Souza e investir numa das principais frentes de fãs do seu trabalho: os leitores que formou nas décadas de 1970 e 1980, e que por haverem se tornado adultos, abandonaram a leitura das HQs da Turma da Mônica. Apostando na nostalgia e num trabalho artístico caprichado, as graphic novels lançadas pelo estúdio são um sucesso. Este filme, que adapta um destes exemplares é, assim como o material que lhe deu origem, uma aposta na nostalgia e saudosismo dos trintões e quarentões que precisam, é verdade, fazer um esforço para se conectar a suas versões infantis a fim de se emocionarem com a película. Ela tem uma série de defeitos, entre os quais abrir mão da comédia presente no trabalho de Maurício de Souza; fosse o trabalho dos irmãos Cafaggi menos insípido o filme seria um primor. Para quem aprecia demais uma viagem emocional ao passado, este filme é uma pedida imperdível.
Hellboy - Ron Perlman era, e persiste sendo ainda a melhor encarnação de Hellboy, ao menos na caracterização física. Não aprecio o trabalho que Guillermo del Toro realizou nos dois filmes que trouxeram o vermelhão ao cinema, mas tenho menos apreço ainda por este terceiro filme, uma tentativa de reiniciar a série. Hellboy aqui tem pneuzinhos e tanta maquiagem na cara que o ator sofre pra dar alguma veracidade pra o tipo que monta. Pior é saber que, diversamente dos filmes anteriores, Mike Mignola esteve direta e fisiologicamente envolvido nesta produção, o que apenas leva ao leitor de seu trabalho a questionar como é possível que o próprio criador enxergue sua criatura de maneira tão diversa dos fãs que conquistou - é uma decepção desde o primeiro minuto, infelizmente.
Stan e Ollie - Para as gerações atuais, assistir a o Gordo e o Magro é o mesmo que visitar a um museu. A vida que levaram e a arte que deixaram é literalmente do milênio passado, de tal conta que dificilmente as plateias atuais encontrarão algum prazer nesta cinebiografia. A dupla de comédia mais famosa do cinema em todos os tempos é primorosamente caracterizada, e seu ocaso no pós-guerra é um drama mais profundo do que as gags do filme faz parecer. Stan busca custear com apresentações teatrais das cenas da dupla pela Inglaterra o projeto de um último filme que, afinal, não empolga nenhum produtor, para quem o Gordo e o Magro são cousa do passado - o filme não vai acontecer mesmo, mas as dificuldades que enfrentam para levar adiante sua arte, estando já às portas da terceira idade é de cortar o coração, principalmente se o espectador é também um artista. Gostei muito.
A Queda As Últimas Horas de Hitler - Bruno Ganz morreu este ano, e o mundo perdeu um ator inigualável. Este filme é já de alguns anos passados, mas sempre vale a pena revê-lo. Baseado nos relatos da secretaria do Führer, Traudl Junge, o filme mostra os dias finais do líder alemão, diante da iminente tomada de Berlim pelas forças da União Soviética. Com cenas perturbadoras e atuações maravilhosas, acabou popularizado pela cena em que Hitler dá um esporro em seus altos oficiais, quando se apercebe da derrota. A partir de então, passa a delirar, e seus asseclas se dividem entre adoração cega, fuga ou temor mortal de se insurgirem contra suas insanidades. O suicídio acaba sendo o último recurso para esses, inclusive para o próprio Führer - é um filme fantástico, importante e primoroso. Vale cada frame.
Vingadores Ultimato - E lá vamos nós: o filme é ruim, pura e simplesmente. Mas não é ruim por conta de defeitos técnicos ou inépcia de seus realizadores. Nada disso. Os irmãos Russo já se provaram cineastas acima da média há muito, e os estúdios Marvel demonstraram sempre um capricho com as adaptações que realiza desde 2008 com O Homem de Ferro. Todavia, depois de um espetáculo sem igual como Vingadores Guerra Infinita, a sensação aqui é que a Marvel se deu conta que, se filmasse um tijolo por três horas ainda assim teria um campeão de bilheteria nas mãos. Antes tivessem feito isto, mas não - pensaram nas mais estapafúrdias saídas para a revanche dos Vingadores após serem derrotados por Thanos, e resolveram usar todas num filme que peca por falta de ritmo, que corrompe o ethos das personagens e leva mesmo a apresentar o multiverso. Prova de que o filme está repleto de furos é que os diretores acabam tendo de responder as muitas dúvidas da imprensa, que faz senão refletir as plateias. Uma pena que a Marvel tenha fechado seu primeiro grande arco de um universo cinematográfico interligado de maneira tão inferior, destituída de imaginação e criatividade.
Popeye - outro filme das antigas que revi recentemente foi Popeye, a estréia de Robin Williams no cinema. Amigos na vida, ele e Christopher Reeve interpretaram dois grandes ícones dos quadrinhos - claro, o Superman de Reeve tornou-se um clássico inoxidável e inescapável, enquanto este Popeye não chegou a ser um sucesso, mas é uma joia a qual falta maior reconhecimento. Nem de longe se propõe a mesma veracidade que o filme do último kryptoniano, sendo um retrato estilizado de uma cidadela litorânea americana pós-quebra da bolsa de 1929 - a direção de arte busca refletir numa estética decadente os exageros do traço de E. C. Segar, criando sapatos com pontas bojudas, e os antebraços e panturrilhas que Williams ostenta acabam sendo tão necessários quanto o inseparável cachimbo e o olho direito suprimido por algum acidente nas lides no mar. A versão brasileira ainda teve o capricho de haver posto Orlando Drummond e André Luiz Chapéu nas dublagens de, respectivamente, Popeye e Brutus. Shelley Duvall fecha o trio principal com uma irretocável e definitiva Olivia Palito. O filme peca apenas no último ato, quando o diretor parece ter dado de ombros e deixado a deriva o barco, com o perdão do trocadilho - a ação é confusa e o clímax é abrupto e rapidamente cortado por uma cantoria que encerra o filme afoitamente.
domingo, 3 de novembro de 2019
21 séries marcantes
Nada de texto explicativo, nada de sinopse, nada de nada - apenas o nome e a foto das séries que mais me marcaram. Abraços.
1 - Spektreman
2 - Super Vicky
3 - O Elo Perdido
4 - Super-herói Americano
5 - Ark II
6 - Arquivo X
7 - Star Trek
9 - Curto-circuíto
10 - Profissão Perigo
11 - Armação Ilimitada
12 - Seinfeld
13 - Friends
14 - Um Amor de Família
15 - Magnum
16 - The Nanny
17 - Chaves/Chapolin
18 - Louco Por Você
19 - The Big Bang Theory
20 - A Gata e o Rato
21 - A Bela e a Fera
Assinar:
Postagens (Atom)

























































