A única rede social que utilizo é o Facebook; porque? Porque me faz recordar o Orkut. Sim, o velho, bom e extinto Orkut! Lá fui expulso de um sem número de comunidades pretensamente espíritas, apenas e por simplesmente pôr Allan Kardec na mesa de discussões - não há quem haja suportado a limpidez do Espiritismo em sua origem; caíram chicos, emmanueis, ramatises, armonds, etc., e os seus sequazes plenos de ódio. Tais altercações acaloradas ocorreram por conta da plataforma permitir e, por ser necessário desmistificar tudo quanto era (e persiste sendo) divulgado como se Espiritismo fosse; e isto lá em 2006. Mais de uma década se passou, e o pendor pessoal para esmurrar pontas de faca já se perdeu há muito. O ódio instilado pelas redes sociais o conheço bem, e sei que surge ao menor movimento, a mais imperceptível e inocente mensagem. Pois bem, nesta semana, partícipe da comunidade do site Omelete na citada rede social, referi-me a campanha dos estúdios Marvel para fazer de seu filme Vingadores Ultimato um candidato a premiação do Oscar em 2020 de maneira irônica - afirmei que a película deveria concorrer na inexistente categoria de melhor queijo-suíço cinematográfico - não precisava ser mais explícito quanto as minhas considerações acerca desta obra dos irmãos Russo. Todavia, fora divertido observar as reações patéticas de alguns dos demais participantes da comunidade, me outorgando uma autoridade que, de fato, não possuo - postei meu texto acerca das razões pelas quais não gostei do filme na comunidade, deixando claro que ali se encontrava minha visão e que não estava aberto para discussões, mas foi como atear fogo a um campo de petróleo. Um tentou me desautorizar, não se apercebendo que ao fazê-lo tomava minhas palavras com a força de uma lei; outro apanhou ponto por ponto o que escrevera e lançou suas tréplicas, buscando instilar meu espírito solidário ao pedir a leitura como uma troca de gentilezas, já que havia dado seu tempo a apreciar meus escritos. Risível - quando o espírito não quer, não quer e pronto! Apaguei minha postagem original, eliminando todo o ódio que se seguiu - mas este último, um tal de Marco Aurélio não sei das quantas, postou suas respostas diretamente neste blog, a fim de garantir que minha boa vontade não lhe faltasse. Deletei sem ler - porque? Por que não interessa - quando jovem nerd, todo o ódio e competitividade acéfala me era cuspida à face apenas por conta de tal condição; os valentões não se interessavam pela cultura pop - HQs era cousa de criança, filme só importava os de ação e artes-marciais, leitura de livros era atividade de caráter feminino, etc. Hoje a cultura nerd e a valorização da cultura pop é quase universal, o que é bom e ruim - é bom por que há mais dinheiro, zelo e carinho investido em produzir obras de qualidade, em contrapartida cria-se uma demanda numa linha de produção que dá origem a muito material ruim. Mas, talvez o pior aspecto disto é ver os novos nerds comportarem-se como os valentões da minha infância - todos querem ter razão todo o tempo acerca de toda manifestação cultura pop surgida; razão e primazia, aliás. É preciso ser o primeiro, o melhor e a autoridade máxima. É uma postura burra sob quaisquer aspectos. O mundo nerd e a cultura pop tornaram-se religião; as redes sociais são o púlpito da pregação e as discussões são o mote para se tecer sermões sacerdotais em que se disputa quem sabe mais sobre Naruto, UCM e Call of Duty! Realmente, tenho mais o que fazer. Inerentemente o Espiritismo exigia uma maior profundidade e uma discussão que se valia por si mesma - mas demandar tempo a discutir filmes, premiações e quem está certo por ter gostado ou desgostado é de uma esterilidade intelectual ímpar. Cansa. E tudo porque fiz um gracejo em forma de comentário numa comunidade nerd. Vou ali obrar e já volto...
domingo, 3 de novembro de 2019
sábado, 24 de agosto de 2019
domingo, 11 de agosto de 2019
10 Furos de Vingadores Ultimato
Na derradeira postagem deste blog expus minha decepção quanto ao fechamento do arco de filmes do UCM (Universo Cinematográfico Marvel), com Vingadores Ultimato – não sei o quanto há mais para ser encerrado em Homem-Aranha Longe de Casa, mas também não assisti a este filme para poder comentá-lo. Segundo as críticas, ele pouco lida diretamente com a trama do filme que o antecede na cronologia do UCM, qual seja o quarto capítulo dos Vingadores. Fato é que a Marvel perdeu a chance de dar término digno a um enorme feito, inédito e espantoso de interligar 22 filmes por mais de uma década, apresentando um filme apressado, afoito, cujo principal defeito é o roteiro. Abaixo listo as 10 razões pelas quais o roteiro é furado, segundo minha humilde opinião de leitor antigo da Casa das Ideias.
1_Quebra da Expectativa – o marketing natural que envolve o lançamento de um blockbuster não tem ação aqui, já que o problema está no fato objetivo de Vingadores Ultimato ser uma continuação direta de Vingadores Guerra Infinita, a tanto que seu título inicial seria Vingadores Guerra Infinita parte II; o compromisso era manter a mesma qualidade de roteiro em ambos os filmes, ou que fosse superado pela segunda parte. Mas, ocorreu justamente o contrário – Vingadores Ultimato tem um roteiro inferior e um andamento truncado, diferentemente da primeira parte desta história que caminha linearmente de modo gracioso, a ponto de não se sentir o tempo transcorrido da exibição.
2_Capitã Marvel – na cena pós-crédito de Vingadores Guerra Infinita, Nick Fury aciona um misterioso pager, daqueles antigos, onde surge o símbolo da Capitã Marvel antes deste se desfazer em pó. Então vem o filme nada além de mediano daquela que deveria ocupar no UCM a importância que a Mulher-Maravilha tem na concorrência. Todo mundo reclamou da cara amarrada de Carol Danvers, mas, ela deu o recado do quanto era poderosa e a audiência passou a imaginar seu embate contra Thanos. Bem, não ocorreu, ao menos não a contento. Os papagaios por aí passaram a repetir o ‘mimimi’ próprio dos roteiristas incompetentes, que vivem afirmando que personagens tão poderosos são difíceis de serem trabalhados, como o Superman, por exemplo. Besteira e amadorismo – Superman e Capitã Marvel têm ética e valores morais, e são esses os seus pontos fracos que podem ser explorados a exaustão por bons escritores, e a razão principal porque são eles heróis, e não vilões. A Capitã aparece pra destruir uma nave, mostrar seu novo corte de cabelo (lindo, aliás), e tomar um piparote do Thanos. Fim pra ela. Merecia imensamente mais, não apenas a personagem como os fãs que esperaram por isso.
3_Hulk – de promessa a bebê gigante verde. Professor Hulk não honra sua contraparte nos quadrinhos e acaba por ser a versão mais sem graça do Gigante Esmeralda. Uma saída interessante seria tê-lo tornado cinza, totalmente selvagem e irracional, saindo no corpo-a-corpo com Thanos, quebrando-lhe alguns dentes e lhe arrancando um cadinho de sangue roxo. Porém, a expectativa lançada em Guerra Infinita, veja só, não se cumpre e eles sequer dividem a cena no campo de batalha – consegue ser ainda mais frustrante que a participação da Capitã Marvel.
4_Thanos – ele é um deus? Mais de um fã me questionou – mas a união dos heróis não seria suficiente pra derrubar o titã louco? Ficou forçado, afinal de contas, um Thanos que não cai a um simples soco, que parece não sentir uma sucessão de relâmpagos disparados contra si, que não solta uma única gota de suor diante do seu inevitável fim pelas mãos da franzina Feiticeira Escarlate. Pior, esse azougue de força e tenacidade simplesmente senta e espera seu fim após Tony Stark ter estalado os dedos.
5_Descaracterização – essa atitude de Thanos diante do inevitável, uma Viúva Negra chorosa, um Thor pateticamente gordo e fraco, enfim, toda uma série de pontos em vários personagens parecem tê-los descaracterizado. Hão de afirmar que, afinal, diante de um evento cósmico e após cinco anos, seria de se esperar por mudanças. Fato, mas sem mostrar o que levou um personagem daqui para lá, torna-se difícil dar crédito a mudança. Mas a descaracterização principal é a do ser humano. O que fizeram os americanos após os eventos do 11 de setembro de 2001? Arregaçaram as mangas e reconstruíram, foram à luta – esse é o ser humano. Em Ultimato, o ser humano é um ser ridículo, que deixa seu mundo às moscas, chorando por cinco anos os que foram mortos. Prédios em ruinas, construções abandonadas e pessoas taciturnas fizeram da realidade pós-Thanos o cenário de um filme de zumbis. Ficou ridículo e não condiz com o espírito humano.
6_Viagem no tempo – como desfazer o que Thanos fez? Viagem no tempo! Simples, mas quem pode ajudar? Ora, Tony Stark. Ele não quer muito, mas em dois dias descobre como fazê-lo. Contudo, nada é o que parece, e o que se sabe sobre viagens no tempo não valem aqui. Máquina de Combate sugere ir ao passado e matar Thanos ainda bebê; o Hulk diz que não funciona. Pior do que a introdução às viagens no tempo nesta altura do filme, é o diálogo do Hulk com a Anciã: ora, se a realidade não pode ficar sem a jóias, ela não sofreria algum tipo de convulsão, Armagedom ou algo do tipo quando, no início do filme, Thanos as destrói, antes de ter a cabeça decepada por Thor? Eis o exemplo de um dos muitos furos do roteiro. Bem, basicamente o filme cai no mesmo problema de X-Men Dias de um Futuro Esquecido – alguém volta ao passado para alterar o futuro. Mas se o futuro que gerou a viajem no tempo para o passado nunca existiu, a viajem em si nunca aconteceu – paradoxo que, como tal, é insolúvel. Mais ou menos – a viagem no tempo não resulta em paradoxo, resulta em linhas temporais paralelas, ou seja, multiverso. Pronto, era o que a Marvel queria, e como eles não são muito bons nas introduções curtas (Era de Ultron só existe para apresentar a Feiticeira Escarlate e o Visão), tem-se um filme ruim sobre uma desastrada viajem no tempo. Bill e Ted fizeram melhor.
7_Mortes desnecessárias – A certa altura, os produtores da Marvel se sentaram numa mesa e ficaram imaginando quanto dinheiro seria necessário para convencer tantos atores a ficar para mais uma fase do UCM; então, como ninguém está disposto a pedir falência para pagar o puxadinho da mansão de Robet Downey Jr. o melhor a fazer é matar o Homem de Ferro. Voilà! E de uma só tacada se vai o Homem de Ferro, o Capitão América e a Viúva Negra. De todos, espanta mesmo a morte do Vingador Dourado, afinal, ele não previu, ou não foi devidamente informado por Nebulosa acerca dos efeitos das Jóias do Infinito? A questão em si não é a morte de tais personagens, mas como foi realizada. O Tony Stark desastrado de Homem de Ferro 3 dá as caras e pronto, ele morre de modo tão patético quanto o Wolverine em Logan; um pouco menos, talvez. Um gênio que fez tudo o que foi mostrado em diversos filmes não merecia um fim tão amador.
8_As Joias e o elemento biológico – falando em joias, ao que parece, aquele efeito destrutivo visto no primeiro Guardiões da Galáxia é sazonal, afinal. Vários personagens não parecem ter meios de apanhar as gemas senão com as mãos nuas e, nada acontece. Nenhum orbe, nenhuma luva especial, nenhum pegador de macarrão, nada! Somente Thanos, Hulk e o próprio Tony Stark é que se lascaram com o efeito mortal das Joias do Infinito. A luva do Gavião Arqueiro deve ser mais poderosa que a manopla da Armadura do Homem de Ferro, afinal, ele segura a Joia da Alma sem problemas. Realmente, um furo que, não apenas vai contra o que até então se viu nos filmes anteriores, como faz da morte de Tony Stark algo ainda mais patético.
9_Escala de poder – poder, eis o grande problema dos super-heróis e seus super-vilões. Como mensurá-lo adequadamente? Thor apanhando de Thanos? Bem, ele apanhou da própria irmã em Ragnarok, não é? Mas unido a outros heróis ele não poderia por Thanos pra dormir? Bem, Thanos pareceu não sentir os raios que o ‘Deus do Trovão’ atirou sobre ele. A Capitã Marvel é mais poderosa que o Thor? Ou a Feiticeira Escarlate é mais poderosa que todos eles juntos, mas não tanto quanto Thanos? Nenhum estagiário fez uma planilha disso durante a escrita do roteiro? Pô! Esses estagiários...
10_Diretores explicadinhos e um futuro tolo – acaba o filme. Mas a Marvel quer bater Avatar nas bilheterias mundiais e o relança com material adicional, totalmente dispensável. Truque sujo, barato! A Marvel consegue, mas os diretores ficam dando entrevista atrás de entrevista para explicar o inexplicável – a bagunça vista no filme é decorrência direta de um roteiro ruim! Seria mais honesto admitir isto. Vem a San Diego Comic Com, e no hall H, Kevin Feige anuncia os lançamentos da próxima fase do UCM. Tirando o quarto filme do Thor e o segundo filme do Dr. Estranho, nada ali parece interessante; e, veja só, nada de Capitão América, Hulk, Homem de Ferro ou dos Vingadores. E Blade não é Wesley Snipes. Um filme que precisa de muita explicação adicional após o apagar das luzes não ficou bom. Simples assim. A Marvel liquida a questão sem a glória do primeiro Homem de Ferro. Lamentável.
Personagens de quadrinhos são como times de futebol - por mais que o fã torça o nariz quanto ao que é feito destes, a decisão é dos editores e roteiristas; não adiante espernear, chorar, criar petições e abaixo-assinados. A única arma é o boicote. Tchau Marvel! Quem sabe numa realidade paralela vocês tenham acertado a mão para encerrar este universo fantástico.
quarta-feira, 7 de agosto de 2019
Fui enganado pela Marvel! Fui?
Acaso a memória não me falha, e a vista não me engane, há uma tradição cinematográfica nova em voga - a do final cebolão. Que final? O final das trilogias, das sagas, enfim, de um arco de filmes que possui uma ligação entre si. Ao que me consta, O Retorno do Rei começou com essa tradição - a trilogia de Peter Jackson já peca por ser piegas demais, e o derradeiro capítulo da sua versão para os livros de Tolkien é o ponto alto, buscando toda sorte de subterfúgios para levar o espectador às lágrimas. Toy Story 3 fez melhor, talvez por não ser baseado em nenhum material prévio, com um final de quebrar corações. Logan enveredou pelo cebolão, encerrando de modo canhestro uma das trilogias mais patéticas do cinema de super-heróis. E eis que, então, tem-se no presente ano o capitulo final da saga dos Vingadores em película, que encerra nada menos que 11 anos e 22 filmes interligados - algo inédito, digno de nota, respeito e espanto. O sucesso da transposição dos personagens da Casa da Idéias para o cinema gerou lucros astronômicos, restabeleceu e fez carreiras e tornou milionários um punhado de gente. Fãs de todo o planeta e de várias gerações uniram-se em mente e coração a cada novo filme, a cada capítulo de uma história maior cujo andamento já se desenhava em 2012, ao final do primeiro filme dos Vingadores, quando na cena pós-créditos Thanos surge e leva as plateias ao delírio. Uma Saga do Infinito se avizinhava, e só os engenheiros da Marvel para saber quantos filmes mais até o embate final. Bem, foram cinco longos anos de espera, gratificantes em grande parte, até o desfecho com Vingadores Ultimato. Mas o filme é bom? O efeito cebolão é como uma variável cósmica volátil e imprevisível. Assim como os fãs e muitos críticos tecem loas a Logan, o mesmo ocorre aqui; mas, e depois que os últimos lenços de papel enxugam as derradeiras lágrimas, a luz se acende e a magia do cinema fica no passado? Vingadores Ultimato é, para mim, uma retumbante decepção. Aderindo à moda, a Marvel perde a oportunidade de manter-se singular em sua proposta. Mas, talvez, o desejo fosse inserir em definitivo a galhofa comum aos quadrinhos de super-heróis no produto cinemático. E aí está parte do problema. Quando bem executada, essa manobra gera Shazam! ou, caso contrário, Batman & Robin, apenas para citar dois exemplos ilustrativos de resultados opostos desta verve. Vingadores Ultimato é uma decepção primeiramente por conta da quebra de expectativa, e não daquela criada pela máquina de marketing do estúdio, mas do fato de o filme ser continuação direta de Vingadores Guerra Infinita - o compromisso era um filme à altura, com a mesma qualidade, ou antes, superior. Inaceitável que seja inferior, e é. A quebra dessa expectativa perpassa aspectos da trama - Capitã Marvel está longe de ser a única e última, senão a solução definitiva para derrotar Thanos; ela não chega nem perto disto. Já a Feiticeira Escarlate, por outro lado, dá o recado muito bem. Hulk é humilhado pelo Titã Louco em Guerra Infinita, para, em Ultimato sequer dividirem a mesma tomada, frustrando quem imaginou ser merecido que o Gigante Esmeralda, em toda sua gloriosa fúria, devesse esfregar o chão com aquele queixo roxo. Os problemas do filme, todavia, não cessam na quebra da expectativa. Capitã Marvel (novamente ela) está longe de ser o 'deux ex-machina' tão alardeado. O termo refere-se aquela solução miraculosa que surge no momento certo e liquida a questão principal em aberto da trama. O ressurgimento constrangedor de Scott Lang é apenas o exemplo mais flagrante. Porém, a viajem no tempo é o principal 'deus ex-machina' do filme, e a pior saída encontrada pelos roteiristas para dar resolução ao que ocorrera em Guerra Infinita. Pior, nada acerca de como a viajem no tempo é usada no filme parece fazer muito sentido, já que as explicações causam mais confusão que entendimento - as dúvidas de jornalistas, nerdtubes e fãs nas redes sociais é a consequência disto. Quando bem usada, a viajem no tempo gera filmes do quilate de De Volta para o Futuro. Quando não, descamba para bobagens como X-Men Dias de um Futuro Esquecido. Vingadores Ultimato consegue a façanha de ser pior neste aspecto que o filme dos mutantes, deixando paradoxos e pontas soltas atrás da ação desenfreadas dos heróis. Teorizo que isto foi assim utilizado com o fito de introduzir os postulados do multiverso. A ideia do multiverso nasce nos quadrinhos como um remendo, uma gambiarra para corrigir decisões editoriais desastradas que puseram em frangalhos a cronologia de um sem número de personagens, especialmente os da DC. Crise nas Infinitas Terras foi apenas a primeira dentre muitas crises com o objetivo de desfazer erros pretéritos de editores e roteiristas. Não deu certo, já que a esta seguiram-se e ainda seguem novas crises, ano após outro, apenas para zerar a numeração das revistas e fazer subir as vendas num mercado em encolhimento constante. Uma vez que as crises e reformulações passaram a fazer parte do cenário de HQs de super-heróis, os novos leitores testemunham como normalíssimo o expediente das viagens no tempo e do multivero. Para o expectador de cinema, o conceito já vinha sendo apresentado, por meio do já citado filme dos X-Men, após por Deadpool 2 para, enfim, chegar-se a Homem-Aranha no Aranhaverso. Com Vingadores Ultimato o estrago está feito, mas, creio ser uma aposta equivocada. Os expectadores serão apresentados a roteiros furados, cheios de pontas soltas e paradoxos; novas fases se seguirão no Universo Cinematográfico Marvel, e novos personagens apresentados - mas será que as reviravoltas miraculosas serão tão bem aceitas? Não será forçar demais a suspensão da incredulidade? Vingadores Ultimato encaixa-se naquela categoria de filme ruim em que seus realizadores, amiúde, devem vir a público para explicá-lo; se precisa ser explicado é porque não ficou bom - o uso das viagens no tempo parece-me uma solução preguiçosa, um 'deus ex-machina' dos mais afoitos, apelativos e sem brilho. Não dá a sensação de um filme inacabado, feito apressadamente, sem cuidado?
domingo, 4 de agosto de 2019
sábado, 20 de julho de 2019
sexta-feira, 19 de julho de 2019
sábado, 13 de julho de 2019
Cinema em poucas linhas #3 (contém spoilers)
Bumblebee (Bumblebee)
Minha expectativa quanto ao primeiro filme dos Transformers era menos que zero, mas até que se mostrou uma experiência agradável. Dentre os brinquedos e suas correspondentes animações dos anos 1980, sempre fui mais atraído por He-Man e os Mestres do Universo, ou mesmo por Thundercats. A continuação descreveu uma curva descendente sem volta, e Bumblebee me parece uma inocente e anódica exceção, um respiro algo salutar num amontoado de filmes asfixiantes de tão ruins. Vale uma olhadela.
Fahrenheit 451 (Fahrenheit 451)
O General Zod se choca contra Adonis Creed num futuro zoado em que a grande ameaça a humanidade são os livros. A premissa é genial graças a um dos reis da ficção-científica, Ray Bradbury, em cujo conto se baseia este filme, que já teve adaptação anterior. Mas, seja dito que apor adaptação, personagens são suprimidos e conceitos são modernizados para agradar as plateias, o que não é, necessariamente um ponto positivo para a produção, se o que se busca é a fidelidade a essência da história original. Mas, vá lá, o filme tem seus predicados, mesmo dentre essas adaptações - em certo momento, fica subentendido que o politicamente correto foi o grande motor para aquela realidade, em que a ofensa generalizada a tudo fez suprimir o pensamento, as ideias criativas, as iniciativas artísticas e culturais, sendo o livro o grande demônio a subverter as mentes desavisadas e sensíveis como um nervo exposto. O demônio que precisa ser destruído. E aí se segue cena após outra pilhas e pilhas de livros sendo incinerados como se fossem montanhas de drogas ou material pirateado. Interessante enquanto premissa, mas fica devendo no ritmo - faltou aquela verve de superprodução, pra por pra escanteio filmes congêneres.
O Mistério do Relógio na Parede (The House With a Clock In Its Walls)
Juventude e magia. Recordo com saudade quando esse mistura deu certo nas HQs com Os Livros da Magia, de Neil Gaiman. Essa obra, aliás, foi e permanece sendo apontada como aquela de onde surgiu Harry Potter, seja como inspiração deste, seja como plágio descarado. No meu ponto de vista, é uma obra superior aquela imaginada por J. K. Rowling - simplesmente porque Neil Gaiman é um escritor e um criador superiores a ela. Esse filme adapta um livro, veja só, que trata de magia e juventude, que põe um garoto diante das artes ocultas, e na iminência de digladiar-se contra um inimigo poderoso, e mais traquejado. Já viu isso antes? Ora, tivesse sido rodado em 1985, talvez fosse hoje um clássico; mas, não é o caso. O filme padece de uma enorme falta de ritmo, e acaba saindo da memória tão rapidamente quanto seus frames se sucederam diante dos olhos.
Cópias - De Volta a Vida (Replicas)
Keanu Reeves precisava de dinheiro? Alguém em Hollywood poderia ter-lhe dado sem que essa obra visse a luz do dia. O tal cientista que ele interpreta está tentando copiar os padrões neurais de humanos e pô-los dentro de cérebros eletrônicos, perpetuando assim a vida. Basicamente é um sujeito que não aceita a morte, e cujo mecanicismo aplicado a humanidade denuncia seu niilismo. Lá pelas tantas, viaja com a família e acaba num acidente que mata todo mundo menos ele. Liga pra seu amigo de laboratório, que trabalha com clonagem, e o coage a fazer cópias de seus entes queridos. Em seguida, copia as mentes destes e insere nos clones, que despertam para uma nova vida como se fosse a continuação da anterior, sem nenhum problema. Bem, não de todo, pois a esposa descobre logo que algo está errado, e que certas memórias lhe faltam. Pra piorar, o proprietário do conglomerado farmacêutico para o qual trabalha descobre o imbróglio todo e quer destruir as cópias e usar das descobertas da protagonista para faturar alto na industria bélica. É uma premissa a que faltou a injeção de muito dinheiro, e de um Keanu Reeves mais inspirado. Fosse uma superprodução milionária dirigida com mais estilo e seria um filmão. Ah, os (d)efeitos especiais são de um constrangimento bônus.
terça-feira, 9 de julho de 2019
Cinema em poucas linhas #2 (contém spoilers)
Prosseguindo com a lista do festival doméstico de cinema.
O Primeiro Homem (The First Man)
O drama familiar do astronauta Neil Armstrong tem como pano de fundo o projeto aeroespacial americano de chegar a Lua - ou seria o inverso? Ou a mesma cousa, afinal, a exploração espacial tem seus dramas, tão trágicos quanto a perda da filha do primeiro homem a pisar no satélite natural de nosso planeta. Armstrong é o sujeito durão, o típico americano que renega os próprios sentimentos, quase frio. A atuação de Ryan Gosling capta este aspecto perfeitamente, encarnando um homem quase desprovido de personalidade - frente ao carisma magnético de Buzz Aldrin, ele é quase um cogumelo. Isto é tão verdade que, Aldrin está muito mais inserido na cultura americana que seu companheiro - Buzz Lightyear deve seu nome ao astronauta, por exemplo. Armstrong não digere bem a morte da filha pequena, encontrando paz apenas quando pisa na Lua. O filme tem uma conformação quase documental por vezes; assisti-lo é agradável, mas a história talvez merecesse um tom épico que faria bem a narrativa.
A Pele Fria (Cold Skin)
Estranheza - é o que esse filme evoca. Em 1914, um oficial cartógrafo é designado a habitar uma ilha no Círculo Polar Ártico por um ano, substituindo seu antecessor na mesma função. O único outro habitante do local é um oficial faroleiro; o sujeito é arredio e parece padecer dos piores efeitos do isolamento prolongado. Na primeira noite do novato, sua casa é atacada por criaturas de feições anfíbias. Não lhe resta alternativa senão apelar ao auxílio do ermitão do farol, que a contragosto aceita o estranho, que em pouco tempo se dá conta que a situação é um cadinho mais complicada do que apenas lidar com sapos humanoides monstruosos. O faroleiro tem em seu poder uma fêmea destes seres, a quem trata com rispidez, embora mantenha relações sexuais com ela. Aos poucos o cartógrafo reconhece que aqueles seres são os habitantes originais da ilha, e ele e seu companheiro são os invasores. Mas, partir da ilha não será uma alternativa para o faroleiro. É um filme que causou-me estranheza por sua condução, tanto por sua narrativa. Mas acaba deixando uma lembrança viva na memória, talvez, por possuir um aspecto perturbador, em que o isolamento daqueles dois homens se refletem na psique do espectador, que antevê a morte de ambos.
Dumbo (Dumbo)
Saem os animais, entram os humanos. O ponto de vista da história é transferida nessa versão em live action da clássica animação Disney de 1941. E é este seu grande problema - a fim de apelar para uma visão realista, os animais perdem a fala e o protagonismo, entregando-a aos humanos que ganham personalidades rasas e, para certos personagens, cartunescas. A narrativa é a mesma acerca de um elefantinho que nasceu com orelhas enormes que o permitem voar, e as consequências disto. Mas, se antes a fábula fazia sentido numa animação que, por si só, é lúdica o suficiente para abranger a história, facilitando a suspensão da incredulidade do espectador, sua contraparte fílmica não é! O roteiro cria situações e faz que suas personagens tomem decisões ilógicas, infantis mesmo, o que não causa estranhamento no público infantil, mas soa canhestra e absurda para os adultos. É um filme de visual deslumbrante, roteiro capenga e atuações anódicas, com suas exceções, claro! Mais um pra lista de filmes de Tim Burton que não me dizem nada.
A Vida em Espera (Wakefield)
Brian Cranston encarna um canalha que, lá pelas tantas, depois de brigar com a esposa, resolve se isolar no sótão da garagem e lá viver incógnito, tornando-se uma espécie de mendigo doméstico, oculto aos olhos de todos, mas principalmente de sua família. É preciso uma auto-suficiência e uma canalhice ímpares para se tomar uma atitude destas - quando passa a observar o desespero da esposa com um indisfarçável prazer, pensei que fosse desistir, mas ele leva sua decisão às últimas consequências, passando algo em torno de um ano escondido. Claro, isto lhe serve para alcançar uma espécie de redenção íntima, em que reconhece que sua ranzinzice com as filhas e a estafa conjugal foram motivadas por suas próprias atitudes. Lá pelo final, diante da iminente perda em definitivo da esposa para um ex-namorado que retorna a vida dela, ele sai de seu isolamento e... nesse ponto minha esposa e eu ficamos apostando que atitude ele tomaria. Acabei ganhando, pois a coerência do canalha é pontual - ele ressurge sala de estar adentro como se nada tivesse acontecido. O que vem a partir daí fica por conta da especulação do espectador, pois o filme se encerra. É um belo estudo de personagem, um presente para Cranston exercitar seu talento inigualável. Pode-se até não gostar de história, mas não há como desviar o olhar de seu protagonista.
Homem-Aranha no Aranhaverso (Spider-Man: Into the Spider-verse)
Tudo junto e misturado - várias versões do Homem-Aranha se encontram nesta animação de feições não convencionais, que abocanhou um Oscar, entre vários outros prêmios. Esta ideia de universos paralelos sempre foi premissa mais explorada pelo universo DC nos quadrinhos, embora a Marvel também o tenha. Mas, quase sempre, quem lidava com os desdobramentos de realidade alternativas sempre foram os X-Men. O que, a certa altura, impedia o desavisado leitor que adquirisse uma edição dos mutantes de entender o que lia - era hermético graças a essa decisão burra dos editores de por futuros múltiplos e realidades alternativas no caminho de seus personagens, tornando tudo uma grande bagunça. Em grande parte, por conta disto, a animação não me atraiu, e a expectativa era nula ao assisti-la - e admito, tenho dificuldade em recordar do enredo. E sou fã do teioso. O que não tira as qualidades desta. Mas, pra mim, é esquecível.
Mentes Sombrias (The Darkest Minds)
Uma pandemia mata jovens e crianças, e os que sobrevivem ganham super-poderes; o governo acha por bem contê-los em espécie de campos de concentração. São classificados por um didático sistema de cores correspondente aos seus poderes. Os Laranjas e Vermelhos são mortos, por serem poderosos demais a incapazes de ser contidos. Mas, veja só que lá pelas tantas do filme, quando um grupo de Vermelhos surgem, tudo o que eles fazem é cuspir fogo - este é apenas um dos exemplos que me fez desanimar deste filme. Baseado em mais uma série de livros juvenis que fazem a cabeça da garotada, assim como Harry Potter fez a de algumas gerações anteriores, esse filme busca dar início a adaptação cinematográfica dos vários volumes da história. Suspeito que não terá uma continuação, mas é apenas minha visão da cousa toda. Genérico de Jogos Vorazes, Saga Crepúsculo, Série Divergente, Maze Runner, etc. Pra quem gosta, um prato cheio.
Cinema em poucas linhas #1 (contém spoilers)
Feriado prolongado, frio, cama, filmes e pipoca. Algumas breves linhas acerca dos filmes desta temporada doméstica de cinema.
Duas Rainhas (Mary Queen of Scots)
Está lá mais um título nacional infeliz, pois o filme é todo de Mary Stuart, rainha da Escócia. Mas a interpretação de Margot Robbie me chamou mais a atenção - a recriação de época é o espetáculo aqui, na abordagem de um estrato interessantíssimo da história das Ilhas Britânicas. Contudo, Mary Stuart é a protagonista, e como tal, canonizada por um roteiro que se esforça por dar-lhe uma nobreza moral, onde antes houve apenas jogo político. Comparado a Elizabeth, onde a monarca inglesa foi interpretada por Cate Blanchett, esse filme é uma abordagem inferior do período, e da história que busca retratar. Aliás, as primas jamais se encontraram em vida, sendo este acontecimento uma licença poética do filme.
Hereditário (Hereditary)
Filmes de terror me fazem rir, principalmente os que abordam Espíritos - e este é o caso aqui. Mas não veio o riso, apenas o aborrecimento. Toni Collette é uma escolha e um fan service por si só, afinal, seu primeiro papel de destaque no cinema foi como a mãe de um menino que via Espíritos (O Sexto Sentido). A escalação de Gabriel Byrne vai pelo mesmo caminho, já que em Estigmata ele teve de lidar com o capiroto, que na verdade era o Espírito de um padre. A mãe da personagem de Collette começa o filme morta, e lá pelo final descobre-se que a velha era uma evocadora de demônios, que pertencia a uma seita de adoradores do Diabo que resolvem evocar Paimon, um dos reis do Inferno. Como a família vai morrendo ao longo do filme, sobra apenas o garoto Peter, o casulo de carne pelo qual o monarca das profundezas veio manifestar-se na Terra. Pode-se elogiar e ver qualidades positivas na condução deste enredo, mas apenas serviu para me aborrecer.
Christopher Robin-Um Reencontro Inesquecível (Christopher Robin)
Quer começar um filme já sabendo o seu final? Este é o caso aqui. Faz recordar a Hook-A Volta do Capitão Gancho, onde Peter Pan cresce, torna-se um marido e pai ausente que só trabalha, e lá pelas tantas é arrastado ao seu passado para reaver sua essência. Mas, usar os personagens do universo do Ursinho Pooh criam um diferencial de sensibilidade que não havia em Hook, e não há em outros exemplares da mesma história, como O Mentiroso, Um Herói de Brinquedo, Meu Papai é Noel, etc. O filme é tão doce quanto o mel que Pooh consome, e essa glicose toda acerta em cheio o coração do espectador. Principalmente se as personagens fizeram parte da infância deste, como é meu caso. Adorável e fofo, não há como poupar esses adjetivos.
Shazam! (Shazam!)
Expectativa zero pra esse filme, e não é que me divertiu!?! Quem leu muito Shazam O Poder da Esperança, e O Reino do Amanhã, talvez esperasse uma abordagem mais séria do antes conhecido Capitão Marvel. Contudo, quem assim o fez desconhece ou não quis reconhecer que a personagem surgiu como uma imitação do Superman, e uma imitação bastante cartunesca e infantil. Suas histórias clássicas fizeram tremendo sucesso com a criançada por conta deste aspecto meio boboca da personagem, suas histórias meio panacas e uma galeria de vilões tão bizarra quanto a de Dick Tracy e Batman juntos! Esperar que um adolescente guindado a condição de adulto com superpoderes gerasse um filme sério é plausível, mas não seria Shazam. E Shazam já tem suas qualidades apenas por que sua protagonista não usa de seus poderes para dominar o mundo, preferindo descolar um dinheiro fácil pra comprar refrigerantes e chicletes. Shazam acaba sendo o filme mais à Marvel que a DC conseguiu fazer - e não é difícil ver ecos de Peter Parker em Billy Batson e sua contraparte adulta e atrapalhada. Gostei.
A Mula (The Mule)
Clint Eastwood possui hoje 89 anos de idade, e é uma lenda viva do cinema que não apenas continua atuando, como dirige seus próprios filmes. Desde há algumas décadas, suas qualidades como cineasta foram reconhecidas, e o sujeito que na década de 1970 não tinha mais que duas linhas de diálogo e só fazia atirar, tornou-se um talento monumental. A Mula é um de seus muitos filmes-testamento, onde questões de valores estão presentes nas entrelinhas do diálogo e nas ações das personagens. Earl Stone é representado magneticamente por Eastwood que, desprovido de sua persona bronca e ríspida, atua com a leveza de quem já tem muita quilometragem para se dar ao trabalho de provar algo a quem quer que seja. Em meio a uma série de pequenas crises cotidianas, a personagem é aliciado para transportar drogas de um ponto a outro da América em sua caminhonete, pensando no dinheiro fácil e abundante que dará resolução a tudo; o que de fato ocorre, até que os problemas comecem. É um filme cujo final se antevê, mas que o prazer está em acompanhar a trajetória da protagonista numa atividade arriscada, deixando o espectador na ponta da poltrona.
Bird box (Bird box)
A Netflix já se estabeleceu como uma produtora alternativa para cineastas que não encontram nos grandes estúdios a boa vontade necessária para com seus projetos. Bird box é um desses casos. Contudo, se o carisma de Sandra Bullock não é suficiente para carregar o filme nas costas - o é em parte - a tensão subsequente a um dos fins de mundo mais criativos que vi, alimenta a narrativa até sua conclusão não muito inspirada, mas ao mesmo tempo perfeita e única até então no andamento da narrativa do filme. Criaturas de origem desconhecida surgem na planeta, e a mera visão das mesmas causa loucura e auto-destruição fatal. Em meio ao suicídio em massa que se segue, a personagem de Sandra se vê grávida e reclusa numa casa com várias outras figuras que foram pegas no calor dos acontecimentos. Daí pro final, morre quase todo mundo e ela se vê tendo de conduzir duas crianças por um rio bravio até um suposto santuário. Claro, algumas incongruências lógicas saltam aos olhos - se fica claro, lá pelas tantas, que os pássaros se agitam diante da presença próxima das criaturas, por que não ficar sem as vendas quando os bichinhos estão calmos? As vendas acabam sendo exaustivamente usadas como acessório de cena, contradizendo a lógica das ações humanas diante de uma perspectiva destas. De resto, é um filme genérico de fim do mundo, que se abrilhanta pela presença estelar de Sandra.
Capitã Marvel (Captain Marvel)
A agenda atual é empoderar minorias - apenas esqueceram de alertar as mulheres que elas são mais numerosas que os homens. No rastro de Mulher-Maravilha e Pantera Negra, Carol Danvers chega aos cinemas anabolizada para enfrentar Thanos em Vingadores Ultimato (o que de fato não ocorre como esperado, afinal). Mas quem se importa? O filme é superestimado pelos fãs do UCM, assim como Homem-Formiga ou Dr. Estranho, ou ainda Pantera Negra, mas acaba sendo ancorado pela expectativa de ver a protagonista em pleno uso de seus poderes (ilustrando seu empoderamento), o que decepciona uma enormidade. Não apenas pela inexperiência da personagem em usar destes, como pelo modo que são representados pelos efeitos especiais. Carol Danvers, no mais, é uma personagem endurecida a quem as emoções e suas demonstrações são repreendidas, como se estas fossem a chave para sua essência e para a essência feminina, que pode trazer a paz mundial, a cura do câncer e a extinção de todo o mal da Terra. Bem, não é! Mas, o fato de ser um ator a reprimi-la, é a alegoria mais clara do feminismo engajado do filme. Não me desagrada que um filme tenha suas bandeiras, desde que seja bem conduzido e tenha uma boa história para contar, o que não é o caso aqui. Capitã Marvel poderia ter sido muito melhor. Porém, parece contentar-se em ser mais um degrau na longa escada do UCM em direção ao sucesso.
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